quarta-feira, 22 de março de 2017

Sinceramente não sei o que esperar da universidade. Já se foram quatro cursos, já se foram quatro "primeiras aulas", turmas, professores, conteúdos, provas, tudo. Já estive no mundo acadêmico quatro vezes, mas por alguma razão louca, parece que é a primeira vez. Estou entusiasmada, ansiosa, receosa. De alguma forma acho que esse curso vai me dar propósito na vida, vai me dar uma razão para acordar todos os dias, vai ser uma jornada.

Muitas pessoas estarão nesse caminho comigo, compartilhado-o comigo. Pessoas com as mesmas ambições e propósitos. Não sei se gostarei delas ou elas de mim, pois faz muito tempo que não me relaciono com pessoas no geral. Tenho estado off line do mundo há quase 1 ano ou mais e voltar a ter uma vida ativa vai ser impactante de alguma forma.

E isso me entusiasma. Gosto de ter um espaço só para mim, gosto de ficar sozinha tempo o suficiente para poder conversar comigo mesma, mas também gosto de visitar o mundo lá fora e conhecer as pessoas que estão nele. O problema é que Cassiano não consegue disfarçar sua insegurança em relação à isso. Faltam 2 meses para as aulas começarem e eu já sinto a pressão de não poder fazer amizades com homens, já prevejo brigas homéricas, drama por todo lado. Para ele não existe amizade entre homem e mulher, e sendo assim, eu não posso ter amizade com homem algum.

Eu até entendo ele, mas não concordo. E o pior é que é da minha vida que ele está falando, é sobre a minha vida que ele está legislando. Eu entendo o que é insegurança, eu já senti muito. Mas eu era uma criança mimada junto com alguém realmente malicioso. Não vou dizer que sou a pessoa mais confiável do mundo, mas quero ter amigos e ele deveria entender isso. 

Não existe contraponto, a defesa dele é que ele não tem amigas, que ele não dá entrada ou cabimento para mulheres se tornarem suas amigas ou confidentes. Ele diz que é por isso, por causa do esforço dele que eu não sinto insegurança. 

Sinceramente, não sei se isso é verdade. Se fosse Danilo, por exemplo, uma pessoa com quem eu era indubitavelmente insegura, eu estaria enlouquecendo com ou sem amigas declaradas, não importa o que ele dissesse. 

O que eu penso é que não devemos proibir amizade com o sexo oposto, mas deixar claros os limites. É bem sabido que essas amizades vez ou outra se confundem em atração, mas para evitar isso eu teria que me abster de ter contato com qualquer homem e ele com qualquer mulher. Porque pessoas nos desejarão, dando brechas ou não para isso acontecer. O que muda é a nossa postura, é o limite que impomos às pessoas que estão ao nosso redor e que se propõem a ser nossas amigas. 

O medo dele provavelmente está em outra coisa. Eu já fui a "rainha do baile" na universidade uma vez, posso ser de novo e sendo assim, o assédio pode ser grande. Como eu falei, eu não sei o que esperar de lá. Não sei se serei a abelha rainha novamente, uma vez que no último curso que fiz vi alguém neste papel. Talvez abelhas rainhas tenham um prazo de validade, uma idade máxima (rsrs). Mas se eu for, ele sabe que todo ser humano gosta de ser admirado, desejado, requisitado. E, principalmente, ele sabe que se isso acontecer, ele não vai conseguir ser tão atencioso quanto uma turma inteira de homens. 

Então eu tenho que entender. Mas estou dividida entre entender ele e simplesmente não deixar passar uma experiência fantástica de contato e conexões de 5 anos. Eu sei, não sou mais uma adolescente e, principalmente, não sou mais solteira. Mas para mim esse curso não é apenas como minha nova chance, mas como finalmente a chance que eu sempre esperei. Como disse anteriormente, para mim é como se fosse a primeira vez.

Não quero brigar com ele por causa disso, até porque é inútil, eu sei o que ele pensa e sei que ele nunca vai mudar o que sente a respeito.

Isso é estranho porque eu me sinto empurrada pela vida a estar em determinadas fases. Ter um relacionamento sério, morar junto, ter contas para pagar, ser dona de casa. A questão é que eu não sei quem definiu essas paradas obrigatórias, essas fases. E eu não gosto delas. Não gosto que paire sobre mim as palavras "você é muito velha para aquilo, agora você tem que fazer isso". O que eu preciso é arcar com as responsabilidades sobre meu sustento, minha independência financeira, e só. Eu não preciso me sentir obrigada a pensar em casar, em ter filhos, em dividir minha vida com uma pessoa. Por mais que Cassino tente me convencer que isso é obrigatório, isso não é. Minha única dívida é não ter me formado, é não estar no meio de uma carreira agora, sem precisar de pai ou avó para me manter. Mas de resto, não devo nada a ninguém.

Talvez eu queira ter 18 anos novamente, viver pela primeira ou segunda vez coisas dessa fase da vida, porque tem coisas que não são da conta de ninguém. Ter um monte de amigos, sair, conhecer o mundo, viajar. Se ele acha que não consegue lidar com uma garota, ou que acha que qualquer garota que viva essas experiências necessariamente vai traí-lo ou envergonhá-lo, então temos um problema. Porque quando ele apareceu na minha vida, ele não me propôs mudar tudo o que eu quero para mim em prol de nós dois. Eu já abri mão de coisas e mudei muitos posicionamentos e opiniões para estar com ele. Afinal, reciclar o que se pensa nunca é ruim. Eu estou aprendendo com ele sobre comprometimento com o outro, sobre dar tudo o que tem para ver o outro a salvo, bem e feliz. Nossa relação tem me dado uma aula de humanidade, não de relacionamento. É essa a grande diferença entre nós. Eu o amo como uma pessoa, ele me ama como sua mulher, como sua propriedade, como algo que ninguém mais pode ver ou desejar ou manter contato. E não é isso que eu quero para mim.

Se eu digo isso para ele, é óbvio que ele vai remeter ao meu passado, aos meus relacionamentos sem importância, casuais, e vai querer comparar o que temos com o que eu tive com pessoas boas e legais, mas que por alguma razão não me foram suficientemente boas para mudar meu ponto de vista. Felipe passou 4 anos da juventude dele para estar ao meu lado, para abraçar todos os meus problemas, me apoiar incondicionalmente e mesmo assim ele não conseguiu me fazer pensar que ele merecia todo o meu amor. Mas Cassiano não vê isso. Ele vê "deu encima e você não cortou", "na sua turma só tem macho", "com certeza vai fazer amizade com macho". Esse tipo de coisa está me cansando muito, porque é mais um valentão na minha vida, mais um abusador. Alguém que prefere tentar me reprimir por pura insegurança ao invés de estar ao meu lado pacificamente, .

É isso que todos os abusadores que passaram pela minha vida têm em comum. Eles querem me manter refém ao invés de me manter como companheira. Eles me metem medo, se impõem sobre mim para me dominar através da intimidação e isso me faz sofrer. E se me faz sofrer, me impede de sentir amor por muito tempo. Gostaria muito que antes dele tentar me impedir de ter amigos, de viver a experiência da universidade, ele visse que ele já exigiu um monte de coisas difíceis de mim e eu cedi sem pestanejar; que não existe relação sem confiança, porque se ele acha que eu vou traí-lo por ter amigos homens, ele tem duas alternativas: ou me tira o direito de ter amigos homens, ou termina comigo, e as duas opções são bem ruins. 

Ele sempre dá a entender que eu tenho que crescer no que concerne minhas experiências. Eu TENHO que me casar - e isto significa colocar a vontade dele acima das minhas - eu TENHO que ser dona de casa, eu TENHO que pensar em ter filhos. Ou isso, ou nada. Se não for isso, ele está perdendo o tempo dele comigo. Curioso que estou dando o meu melhor para apoiá-lo no sonho de se graduar em filosofia, estou dando meu espaço, meu dinheiro, minha paciência, o pouco que tenho para me sustentar para que ele não tenha que desistir dos planos, mas minha amizade com um homem é maior do que isso tudo, é capaz de desfazer nossa relação.

Repensando minhas relações, eu nunca fui de dar muita coisa por elas. Com Danilo eu dei 7 dos melhores anos da minha vida. Foi muita coisa, mas foi porque eu cobrava o mesmo dele incansavelmente. Foi mau negócio para mim e para ele. Mas na minha relação com Cassiano eu só espero de retorno que ele possa realizar seus sonhos, que ele esteja bem e seguro e que ele me ame e me respeite, me veja como amiga, companheira, não uma inimiga prestes a dar o bote na primeira oportunidade. Por que namorar com uma inimiga? Por que perder o seu tempo e o dela se ser ela mesma vai ser sempre uma atitude contra você?

Estou cansada e nem sei como dizer essas coisas para ele. Fico pensando se eu deveria tomar as rédeas dessa situação e terminar esse namoro por ver que ele está sendo abusivo. Penso se sentirei aquela falta excruciante, comum em relações imaturas e possessivas. Outra coisa que certamente ele usa como régua para meus sentimentos: meu desapego. Se eu não morrer com o nosso fim, é porque eu não o amo. Simplesmente joga no lixo tudo que eu faço, tudo que eu deixo de fazer porque ele acha errado, só porque eu não sou uma pessoa desesperada. Ele não entende que ser desesperada por alguém quase me matou, destruiu minha vida, me fez perder um tempo incalculavelmente precioso e de alguma forma me trouxe até aqui: 30 anos, sem formação, sem emprego, sem independência, dependendo de parentes. Não é normal, não é bom, não é saudável, não é desejável que eu ou ele tenhamos a impressão que esse relacionamento está acima de nós, do nosso bem estar, da nossa felicidade. Ou ele compete a favor ou então precisa terminar, porque eu não ficarei alimentando uma relação que me torna uma pessoa infeliz.

Sempre tive medo de mudanças na minha vida, principalmente quando isso envolve uma mudança no âmbito amoroso. Porque terminar, para mim, independente de como foi o relacionamento e com quem era, sempre foi difícil. Minha rotina mudava repentinamente, na balança as coisas boas, mesmo que fossem poucas, do nada começavam a pesar muito mais do que as muitas ruins; eu sentia saudade, sentia a ausência. E é por isso que apesar de eu sentir que minha vida não está condicionada a esse relacionamento, eu não queria chegar ao ponto de terminar. Por isso que eu gostaria muito que ele aprendesse a ceder também, mudasse a forma como vê as coisas, como eu fiz para estarmos juntos. Porque eu não vejo sentido em ficar numa relação em que um abre mão de tudo que pensa, que acredita, que quer, para aceitar tudo o que o outro tem para si como melhor, como correto, como ideal, mesmo que isso implique em castrar a outra pessoa.

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