Tem sido desafiador dividir meu espaço com alguém. Levando em conta a pessoa que eu sou isso deveria ser proibido. Eu tento ser uma pessoa que se importa com o outro, mas no fim das contas sou muito ciumenta com o que considero "me canto" e está sendo difícil de superar e até esconder isso.
Me vejo sobrecarregada. Nada está perfeito ou ao menos tolerável, mas é porque sinto que já faço coisa demais sendo a base paciente disso tudo para ter que fazer mais. Quando você se responsabiliza pela maior parte das contas, quando toma para si subitamente a situação difícil de outra pessoa, não dá para se sentir à vontade passando, lavando e cozinhando também. Eu já experimentei isso. Simplesmente fui a melhor dona de casa que pude ser por umas semanas, e o que eu vi é que estava criando um bebê. Não está existindo um pingo de igualdade nessa relação.
E o que me impressiona é que eu continuo sorrindo. Me impressiona também o fato de que quando eu fico triste ou desapontada ele nunca perceba qual a razão. Tomei para mim responsabilidades que não tinha certeza nem se queria um dia, quem dirá agora.
Eu não consigo sentir nada com clareza agora, mas eu sei que não estou feliz. Não consigo confiar nele, não consigo achar que ele tenha por mim grande afeto são apenas circunstâncias. O problema é que estou pagando caro por essas circunstâncias. Eu sou o cachorro pequeno de uma relação que eu carrego nas costas, em todos os âmbitos. Ele tem essa confiança cega de que é a pessoa perfeita para um relacionamento, que sempre faz o melhor, que sempre acerta para manter um relacionamento vivo e saudável, mas isso não é verdade. Ele superestima sua maturidade em conduzir problemas conjugais e até mesmo sua performance sexual, tentando usar ela muitas vezes como remédio para uma crise.
E ele faz tanta guerra por qualquer coisa que eu não consigo sequer verbalizar o que eu estou sentindo nesse momento, para ver se tem algum jeito.
Estou muito cansada de viver acuada.
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